O ex-líder no Senado afirmou que nunca teve uma reunião com Lula sobre o esquema de arrecadação, mas afirmou que ele tinha “conhecimento absoluto” no esquema de loteamento político das diretorias da Petrobrás, entre partidos da base aliada. O esquema rendia propinas de 1% a 3% para os agentes públicos indicados e políticos – um rombo de mais de R$ 40 bilhões entre 2004 e 2014.A defesa de Lula questionou se ele tinha provas de que Lula estaria envolvido com propinas. Ele afirmou ter conhecimento, como líder do governo e por saber o que acontecia no dia-a-dia do governo”.As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantidos pela Granero de 2011 a 2016.O petista é acusado corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de cartel e propinas na Petrobrás. A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que ele recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012.Delcídio afirmou que não sabia sobre o apartamento do Guarujá e que não poderia fornecer informações sobre o imóvel.

Delator.

Delcídio – preso em novembro de 2015 e colocado em prisão domiciliar em fevereiro – virou delator da Lava Jato. Ele foi ouvido pelos investigadores nos procedimentos preparatórios de denúncias contra Lula. Ele foi executivo da Petrobrás, ministro de Minas e Energia do governo Itamar Franco e senador. Em 2006, ele foi candidato ao governo do Estado do Mato Grosso do Sul, pelo PT.

No depoimento, Delcídio contou sobre o esquema de distribuição de cargos no governo Lula e o papel decisivo do escândalo mensalão, a partir de 2005, para formação da sistemática descoberta pela Lava Jato – de loteamento de cargos estratégicos no governo entre partidos da base, para arrecadação de propinas e garantia da “governabilidade e base sólida” no Congresso.

Nos pós-mensalão, Delcídio afirmou que a Petrobrás foi usada para composição de governo. Questionado pelo procurador da República Diogo Castor de Mattos sobre a indicação de Paulo Roberto Costa, o primeiro ex-executivo da estatal a fazer acordo de delação premiada, no esquema de corrupção descoberto na Lava Jato.”Paulo Roberto Costa não foi diretor, quando começou o governo Lula, ele era diretor da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A. a TBG, depois com o aumento da participação, da importância do PP dentro da base governamental, aí ele foi guindado a diretor de Abastecimento”, explicou o ex-senador.

Paulo Roberto Costa é também testemunha de acusação no processo contra Lula. Sua audiência está marcada para a quarta-feira, 23. No dia, serão ouvidos ainda outros três delatores, o ex-deputado Pedro Correa, e os ex-executivos da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional) e Pedro Barusco (Engenharia).

Tucano.

Preso em novembro, tentando comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, Delcídio era homem de confiança do governo Dilma Rousseff e tinha vindo do governo Fernando Henrique Cardoso.”Na época, a Diretoria de Abastecimento era ocupada por um indicado do governo anterior, o Rogério Manso. Quando sai e entra o Paulo Roberto Costa, indicado pelo PP dentro dessa rearrumação do governo”, explicou o delator.

“Qual foi o motivo da saída de Rogério Manso”, perguntou o procurador.”Aparentemente, havia uma identificação, ou o que se dizia à época, era que ele era  muito identificado com o governo anterior, que ele era tucano e, consequentemente, precisava ser substituído. E assim foi feito.”O ex-presidente é investigado pela Procuradoria ainda por receber como “benesses” das empreiteiras do cartel, que atuava na Petrobrás, em reformas do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP) e por meio de doações ao Instituto Lula e pagamentos para a empresa de palestras do petistas, a LILS Palestras e Eventos.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO EX-PRESIDENTE LULA

O criminalista Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no processo nega que o petista seja o dono do apartamento do Edifício Solaris. Ele nega qualquer envolvimento do cliente com esquema de corrupção ou lavagem de dinheiro.”As testemunhas não sabem de nenhum ato ilícito que tenha beneficiado o ex-presidente”, afirmou o advogado, ao final da audiência.